É do dendê! História e memórias urbanas da nação Xambá no Recife (1950/92) Valéria Gomes Costa Formato 14x21cm, 218 páginas ISBN 978-85-7419-887-3 “Capturar a trajetória de uma pequena comunidade de santo no Recife/Olinda em meio à história da cidade e parte dela, de baixo para cima, desde a periferia da cidade, mas também em disputa por reconhecimento por parte das forças hegemônicas no próprio candomblé da cidade, e perceber as intimações dessa experiência para nosso tempo é o que se encontrará neste trabalho. Aqui se exploram aspectos da confluência de três processos distintos e nem sempre harmônicos entre si que têm atingido em cheio a população afrodescendente no Brasil: a politização de sua identidade em termos de um movimento social organizado, o crescente mainstreaming das religiões afro-brasileiras e as lutas por igualdade de gênero envolvendo as mulheres negras. Trabalho de interesse para estudiosos e militantes dos movimentos negro, de mulheres e religiosos; gestores das políticas culturais e sociais locais e nacionais; e para um público que se interessa pela história urbana do Recife e Olinda enquanto lugares não só ocupados por gente, mas habitados ativamente por pessoas e grupos que lutam, articulam e negociam espaços de reconhecimento e igualdade.” Joanildo Albuquerque Burity Fundação Joaquim Nabuco Sumário sintetizado Prefácio Regina Beatriz Guimarães Neto Capítulo 1 Cidade do Recife: espaço da vigilância e de estratégias da população afrodescendente A cidade do Recife sob múltiplos olhares Higienizando a cidade: perseguição e repressão aos adeptos dos cultos afro-brasileiros Guerra religiosa: espíritas kardecistas e católicos contra os adeptos das religiões afro-brasileiras Leis e tensões que pressionam o povo-de-santo dentro dos subúrbios Os subúrbios nos anos 1950: intensificação da ocupação e organização dos grupos afrodescendentes nos espaços geográficos Deslocamento do Terreiro de Mãe Biu: do bairro de Santa Clara para o Portão do Gelo – contextos de possibilidades A mobilização das pessoas em prol do deslocamento do Terreiro de Santa Clara para o Portão do Gelo O fortalecimento dos laços de união entre os membros do Terreiro para a construção da nova sede do terreiro Capítulo 2 Portão do gelo: lugar de configuração dos espaços pela comunidade do terreiro Santa Bárbara – Xambá Primeiras ocupações de espaços: a habitação do Portão do Gelo pelos membros do Terreiro Um novo lugar: uma nova configuração familiar Nos arrabaldes do Terreiro Santa Bárbara: apropriação de novos espaços físicos para a agregação da família de Mãe Biu Ampliação dos espaços físicos de moradia: novas mobilizações e aglutinações dos membros do Terreiro em torno de Mãe Biu O Terreiro e o espaço público: apropriação e visibilidade Portão do Gelo e o Xangô de Mãe Biu – sinônimos de lugar: espaço da constituição do nome Severina Paraíso da Silva como autoridade local Terreiro Santa Bárbara – Xambá: lugar do profano ou ampliação dos espaços sagrados? Capítulo 3 Nação Xambá! Um universo de domínio feminino: as mulheres e suas práticas de consolidação de espaços Breves explicações acerca do grupo feminino que garantiu a consolidação da Comunidade no bairro Madrinha Tila: revelando cumplicidade e afinidade com Oyá Megué Tia Luiza: a iabá das articulações e engendramentos políticos em torno de Mãe Biu Tia Laura: dominando, controlando, comandando os espaços da cozinha de santo do Terreiro de Oyá Megué Mãe Biu: líder-mãe, mulher-divindade, a consolidadora da nação Xambá no Portão do Gelo Xangô de Mãe Biu ou Casa Xambá: construindo e reconstruindo identificações africanas