Desigualdades sociais e telenovelas: relações ocultas entre ficção e reconhecimento Lília Junqueira Formato 14x21 cm, 298 páginas ISBN 978-85-391-0015-6 O livro de Lília Junqueira apresenta estudos de telenovelas no Brasil, partindo do pressuposto de que as mesmas são assistidas por todas as classes sociais do país e que, portanto, possibilitam comparar interpretações e julgamentos de classes sociais diferentes. A primeira parte deste livro investiga mudanças ocorridas na teledramaturgia brasileira desde a sua criação. Tais processos de mudança vão proporcionar a re-configuração da teledramaturgia nacional enquanto campo profissional nos moldes definidos por Pierre Bourdieu. Junto ao público, a telenovela vai instalar pouco a pouco um espaço de discussão sobre questões éticas e morais, mas sempre através de temas tratados a partir de um eixo afetivo, subjetivo, presente nas interações, sobretudo familiares. A segunda parte é dedicada a uma ampla pesquisa de recepção que possibilitou a comparação entre modos individuais de ler as telenovelas dentro da mesma classe e entre classes. A linguagem da imagem e da emoção utilizada pelas telenovelas permite que aflorem identificações e projeções com as personagens e ajuda a observar, através da análise das semelhanças e diferenças nas leituras, a existência de regularidades ou de certos habitus de interpretação que são apresentados e explorados neste livro. Sumário sintetizado Prefácio - Jessé Souza Parte I - As desigualdades sociais como percepção, pensamento e sentimento Mídia versus sociedade: reproduzindo a dominação de classe Mídia, hegemonia e resistência O poder simbólico e os desdobramentos do habitus Subjetividade e reconhecimento: a redescoberta do mundo do espírito Parte II - Problemas relativos ao estudo das desigualdades sociais via as telenovelas e o discurso sobre elas Histórico da telenovela Verticalização e desregulamentação A expansão dos equipamentos de recepção de ficção e teledramaturgia A expansão do espaço para a ficção seriada Linguagem, mito e psicanálise Parte III - A construção do campo da teledramaturgia e o habitus de criação I. A construção do habitus romântico e personalista (1970-1979) 1. Romantismo e conquista da individualidade. A Escrava Isaura 2. Desenvolvimento, modernismo e personalismo. Gabriela 3. A crítica do mito do personalismo. Estratificação social e família no Brasil II. O habitus desdobrado: classe e gênero nas novelas dos anos 80 1. A construção do campo profissional da teledramaturgia 2. Romantismo, personalismo e classe social 3. A “volta por cima” da mulher Parte IV - Expansão das telenovelas: mudança de habitus das desigualdades? I. Articulações entre habitus do campo e distinção social nos anos 90 1. Germes de uma mudança de habitus a partir de novos desdobramentos 2. A desvalorização progressiva da moral do sofrimento: valores religiosos e crenças nas novelas 3. Distinção e identificação: sofrimento, crenças e religião entre os Telespectadores. Renascer II. Matrizes e habitus: permanências e mudanças na representação das desigualdades sociais (2000-2008) 1. Diminuição da desigualdade de renda no país e novos desdo-bramentos do habitus de criação 2. Forças que enfraquecem e forças que mantém o poder das matrizes originais 3. Desdobramento: Mudança do habitus sobre a permanência das matrizes Parte V - Desigualdades sociais na recepção das telenovelas I. Reflexões sobre recepção, desigualdade e discriminação 1. Alguns dados sobre desigualdades sociais e audiência de telenovelas em Recife 2. A disposição para anexar ou separar a ética e a estética segundo o capital simbólico. Laços de Família 3. Classe e gênero: o julgamento de Helena II. Geração e conhecimento: complexificação do acesso à matriz personalista – Esperança 1. A percepção temporal: retrospecção e aprendizagem O texto: diferenças de classe e geração no habitus interpretativo da discriminação social Parte VI - Desigualdades de gênero no habitus de comunicação entre telenovelas e sociedade 1. Gênero e família: a falta de reconhecimento enquanto solidão e abandono 2. A maternidade sublime: trabalho, amor e planejamento 3. O esforço da aprendizagem e da adaptação: os jovens e o capital cultural