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editorial 8

Publicar ou Disponibilizar

 

‘O estilo acadêmico é um caso especial de estilo. Reúne honestidade intelectual com desonestidade existencial, já que quem a ele recorre empenha o intelecto e tira o corpo.’

Vilém Flusser

 

Existe uma questão ética que diz respeito a ocupar o tempo das pessoas com ‘informação’. Num momento quando é banal disponibilizar conteúdos em esfera pública, é fundamental refletir sobre a relevância do que se está ofertando.

 

Veicular informação hoje basicamente se dá em duas vias. Pode ser pela publicação ou pela disponibilização. Se for uma informação publicada, significa que foi uma informação apreciada como relevante de acordo com a coerência de um projeto editorial. Foi selecionada num contexto, editada para se tornar compreensível a um determinado grupo de leitores e veiculada de forma competente para ser alçada a público. Destaque-se que a evidência da relevância de uma manifestação levada a público se torna ainda mais essencial se esta informação contar com endosso institucional, no nosso caso a parceria entre a Universidade e uma editora. A Universidade dá o reconhecimento acadêmico a uma reflexão ou a uma pesquisa. A editora dá o mérito da relevância da publicação.

 

O projeto da Annablume tem como eixo principal privilegiar a Universidade como fóro de renovação da sociedade. Fazer com que a produção acadêmica circule entre seus pares e fora da instituição, o que se demonstra na ação entre editora e autor para a construção de um texto que possa influir no debate, ou no esforço de torná-lo disponível ao leitor ao qual se dirige. Tem um propósito, daí porque aqui se publica.

 

É bem diferente de disponibilizar. Disponibilizar significa colocar um conteúdo à disposição de quem queria acessá-lo. Para este fim, não é necessário o outro, o leitor. Isto pode apenas atender a uma demanda interna, seja pessoal ou, em âmbito institucional, a veiculação de uma produção endógena voltada para fins estatísticos produtivistas. Acontece sem editora: na ação direta do emissor ao colocar o conteúdo na internet ou na contratação de serviços de disponibilização sem maiores critérios de publicação.

 

A singularidade do momento em que vivemos é a facilidade de expor conteúdo na dita esfera pública. ‘Dita’ porque no momento em que tudo está disponível a todos, cria-se um oceano turvo que somente fantasia a participação. Não funciona, pois são todos emissores, o que é despejado tende a decantar nos abismos. E apenas ganhará relevância se tiver um caráter reflexivo que permita, em diálogo com o outro, tornar-se conhecimento. É papel dos pesquisadores da Universidade a realização e a legitimação deste diálogo. Selecionar junto com uma editora qual produção tem pertinência de ser levada à sociedade. Construir estruturas legitimadoras na esfera pública que permitam o discernimento de conteúdos de forma a se aglutinar ideias que proporcionem conhecimento.

E para isto, só publicando.
 
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