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Carmen Miranda entre os desejos

 

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Carmen Miranda entre os desejos de duas nações : cultura de massas, performatividade e cumplicidade subversiva
Fernando de Figueiredo Balieiro
Formato: 14x23 cm, 368 páginas
ISBN:978-85-391-0899-2

 

"Procuro responder como se deu a inflexão histórica na qual a identidade nacional passou pela primeira vez a ser negociada por sujeitos das camadas populares, mediada pelo mercado de cultura de massas que, por sua vez, procurava criar um produto “genuinamente” nacional. Articuladamente, pretendo abordar como uma “comunidade imaginada” passou a ser negociada também em termos internacionais, já que os mercados e as representações estavam entrelaçados, com a influência cada vez mais presente da cultura massiva norte-americana. Para tanto, tenho como foco a trajetória privilegiada de Carmen Miranda que, de uma estrela nacional no rádio nos anos 30, transformou-se em uma figura de destaque no cinema hollywoodiano da década de 40."

Fernando Balieiro

 

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Carmen Miranda encarnava essa branquitude tropical

por Richard Miskolci

 

A originalidade da empreitada intelectual de Balieiro começa ao propor – por meio da análise da carreira de Miranda – uma leitura alternativa sobre a nação brasileira que problematiza a interpretação dominante nas ciências sociais de que nosso imaginário nacional teria se reconfigurado por volta da década de 1930 no diálogo entre intelectuais e Estado. Na visão de Balieiro, é a ascensão do mercado midiático de massas a partir dos anos vinte que reconfigurará a imagem dominante sobre o Brasil de um país que queria se imaginar branco e europeizado, apagando as marcas indígenas e africanas de sua cultura, para a de uma nação que celebraria em música e imagem sua singularidade.

[...]

Carmen Miranda encarnava essa branquitude tropical e, mesmo tendo nascida na Europa e sendo loira de olhos verdes, bronzeava-se na praia e se dizia bem brasileira, cantando sambas que falavam da vida das classes populares negras e mestiças. Seu passo decisivo nesta incorporação performática do nacional foi vestir-se de baiana para números musicais no cinema e no teatro musical. Seu gesto não foi recebido sem polêmica, algumas recusas e até desqualificações, mas se entre nós a figura da baiana incomodava a elite que buscava distinção em relação ao seu próprio povo, nos Estados Unidos foi recebida como uma imagem latino-americana. Assim, Carmen era baiana aqui e latino-americana lá, carregando signos de dois contextos culturais em uma só performance.

 

 

 
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