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Projeto como instrumento de diálogo

 

Mas, afinal, qual a relevância de se falar a respeito de projeto e diálogo no atual momento que o Brasil atravessa? Em primeiro lugar é preciso admitir que a construção civil habitacional vem atingindo níveis quantitativos há muito não vistos no País, particularmente após a implementação do Programa “Minha Casa, Minha Vida” (MCMV) pelo governo federal em 2009, fato que, por si só, leva a refletir sobre a produção em escala massiva de novas moradias e as carências qualitativas que já podem ser identificadas no campo da Arquitetura e Urbanismo, como ressalta o autor.

 

A superação de uma visão meramente quantitativa e produtivista, que tende a predominar em programas oficiais desta natureza e magnitude, a partir da identificação da necessidade de se produzir conjuntos habitacionais com maior qualidade arquitetônica e urbanística, embora considerada essencial, não é tarefa fácil. O risco de se gerar, em um curto prazo, aquilo que Alfredo Rodríguez e Ana Sugranyes chamaram há dez anos de o problema dos “com teto”, referindo-se à política habitacional chilena, é real. A política chilena era considerada um êxito indiscutível até então, após 15 anos de produção em larga escala de unidades de moradia para reduzir o déficit habitacional naquele país, o que certamente levou muitos governos da América Latina a replicar esse modelo de financiamento, ignorando, no entanto, os novos problemas urbanos e sociais que foram sendo gerados a partir do mesmo, tais como fragmentação, insegurança, aglomeração.

 

O efeito mais perverso que um programa como o “Minha Casa Minha Vida” (MCMV) pode produzir, como destaca o autor, talvez seja a produção massiva de habitação em áreas periféricas das cidades, em zonas desprovidas de infraestrutura.

 

Ao propor o projeto como ferramenta de diálogo, o autor introduz a questão fundamental que tem como foco o papel do usuário como protagonista e agente de projeto em processos participativos. Esse diálogo vem sendo mantido desde a primeira iniciativa de que se tem notícia na cidade de São Paulo, o mutirão de Vila Nova Cachoeirinha, iniciado em 1979 sob a influência das cooperativas uruguaias de ajuda mútua.  Participei pessoalmente entre os anos 1987 e 1992 da equipe técnica que assessorou a comunidade de Vila NovaCachoeirinha, tendo sido responsável pela implantação da tecnologia de pré-fabricação leve utilizada na última etapa deste conjunto habitacional.

 

O diálogo entre usuários, comunidade e técnicos em habitação, incluindo arquitetos urbanistas, entre outras categorias profissionais participantes nestes processos, intensificou-se a partir do início dos anos 1990, quando as chamadas Assessorias Técnicas consolidam sua atuação em meio aos vários mutirões habitacionais promovidos em São Paulo durante a administração da prefeita Luiza Erundina.

 

As práticas cotidianas de duas destas assessorias técnicas, a Peabiru Trabalhos Comunitários e Ambientais, cujas primeiras reuniões que precederam sua fundação em 1993 tive o prazer de sediar em meu escritório à época, e a Usina Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado, são abordadas neste livro de forma detalhada.

 

Paulo Eduardo Fonseca de Campos

 

projeto_como_instrumento_de_dialogo

Projeto como instrumento de diálogo

Pedro Kiyoshi Camargo Nakamura
Formato: 16x23 cm, 208 páginas
ISBN: 978-85-391-0711-7
 
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