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Objetos, paisagens e patrimônio

 

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Objetos, paisagens e patrimônio: arqueologia do colonialismo e as pessoas de Guarulhos
Claudia R. Plens
Formato: 16x23 cm, 254 páginas
ISBN 978-85-391-0833-6

 

A pesquisa arqueológica sobre Guarulhos apresentada neste livro permite uma abordagem comparativa para a discussão da relação entre o documento escrito e a cultura material. Aplica-se ao conhecimento do passado, ao debate teórico- metodológico e conceitual sobre Arqueologia Colonial, Arqueologia da Paisagem e Arqueologia do Movimento, e ao entendimento da forma como a sociedade compreende a cultura material como patrimônio e quais as posturas da sociedade civil e equipes governamentais para o manejo e proteção dos remanescentes do passado.

A contribuição da pesquisa decorre da amplitude dos temas abordados: colonização, geografia e espacialidade, migrações, trabalho escravo indígena e, por fim, mobilidade e movimento de pessoas, objetos, ideias e patrimonialização.

Ao discutir paisagem, urbanização, edificações e cultura material, os artigos do livro proporcionam uma visão singular da colonização europeia no Novo Mundo, ligando as culturas indígenas locais com o mercantilismo europeu do século XVI. Este processo realizado pelos dois mundos resultou na modificação da natureza do espaço de produção, e marcará o desenvolvimento urbano moderno de Guarulhos.

 

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"A primeira virtude que quero destacar é a escolha do recorte espacial. Ter em Guarulhos seu objeto é quase uma ousadia."

Por Jaime Rodrigues

Professor Unifesp


Se fosse visto apenas como um modelo, o livro que o leitor tem em mãos já seria de imensa valia. Trata-se de um método de produção do conhecimento, passível de apropriação por outros acadêmicos e técnicos. Estes, por sua vez, podem replicar ou adaptar o método em outros espaços a serem alvos de outras pesquisas. Para o bem e para o mal, o Brasil é um país onde quase tudo está por fazer, e no campo do patrimônio histórico tal constatação é ainda mais sensível. Mas o fato é que o livro tem outras virtudes, e é hora de enumerá-las.


A primeira virtude que quero destacar é a escolha do recorte espacial. Ter em Guarulhos seu objeto é quase uma ousadia. De ocupação ancestral, a área hoje ocupada pelo município costuma ser esquecida, embora estejamos a tratar de um dos principais municípios em número de habitantes e em arrecadação de impostos no Estado de São Paulo. Mas essa posição no ranking demográfico e econômico não desfaz a imagem de Guarulhos, para os brasileiros em geral e talvez mesmo para os guarulhenses, como um lugar pobre, violento, cidade-dormitório da grande metrópole paulistana – para onde milhares de trabalhadores se dirigem e de onde voltam todos os dias em jornadas dantescas – e que sedia o aeroporto internacional. Enfim, um município funcional, cuja função encontra-se fora dos seus limites geográficos, fora de si mesmo. Se nos deixarmos levar pelo senso comum e pelo paupérrimo noticiário cotidiano, a imagem de Guarulhos estará selada para sempre. Por isso, chamo de ousada a escolha desse município como objeto, ao buscar patrimônio histórico em um lugar quase esquecido quando se trata de estudos acadêmicos, de políticas públicas e de exercício da cidadania.


Ao mesmo tempo em que é ousada, a escolha demonstrou seus acertos, a julgar pelos resultados contidos no livro. A arqueóloga Cláudia Plens, organizadora e autora de vários textos da obra, deixa clara a antiguidade da ocupação do atual território guarulhense com um olho na ancestralidade e outro na discussão sobre a ocupação europeia, ao mesmo tempo em que deixa entrever que a natureza não é um ambiente isento da ação humana – da cultura, portanto. A discussão não é nova, mas sempre é preciso revisitá-la e insistir na ação humana como foco central das investigações em História e Arqueologia, mais ainda quando os campos são observados nos seus pontos de intersecção. Se a História Natural é um dado ou um condicionante, somente a presença dos seres humanos transforma o potencial natural em História. Em Guarulhos não foi diferente: a esperança do ouro, tão ao gosto do colonizador português, introduziu relações de trabalho comuns a outras áreas de exploração na América e promoveu as relações sociais entre europeus, indígenas e africanos e seus descendentes. Foi assim em muitos lugares do Novo Mundo, mas não importa saber apenas o que aconteceu no passado, mas como aconteceu. Em poucas palavras, lidar com o processo histórico e suas especificidades em diferentes tempos e espaços.

 

 
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