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Arquitetura e visualidade

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Arquitetura e visualidade : a construção de um moderno em “Brazil Builds”
Eduardo Costa
Formato: 16x23 cm, 176 páginas
ISBN: 978-85-391-0869-5


Publicação realizada pelo MoMA/NY, em 1943, Brazil Builds instaura uma matriz historiográfica para a arquitetura brasileira, vinculando a arquitetura tradicional com as realizações dos arquitetos modernos. Trata-se do dimensionamento da cultura nacional, na primeira metade do século XX, especificamente em relação à política cultural levada a cabo pelo ministro Gustavo Capanema, durante a República Nova e sua decorrência no campo da arquitetura.


Eduardo Costa, neste livro, discute a construção de um cultura visual da arquitetura a partir da uma série de documentos visuais realizados por diversos fotógrafos e consagrados na publicação, dentre os quais se destaca a obra de G. E. Kidder Smith.


EDUARDO AUGUSTO COSTA é mestre e doutor em História pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH – da Unicamp. Foi vencedor do XI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografi a, em 2010.


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Eduardo Costa desmonta passo a passo as tramas intelectuais que chancelarama obra, por Iara Lis Schiavinatto

 

O leitor é brindado com a história de Brazil Builds. Eduardo Costa matiza as formas pelas quais ele foi sendo credenciado na condição de matriz arquitetônica, visual e historiográfica. Ele desmonta passo a passo as tramas intelectuais que chancelarama obra. Explica os agenciamentos internos e externos a esse livro de fotografias de arquitetura que soldaram sua veracidade, situando a importância do MoMA e os projetos deste Museu capaz de nomear e qualificar em escala internacional o moderno dos bens culturais. Entre suas práticas de poder, incluía livros a laBrazil Buils e sua correlata exposição. Eduardo explora os sentidos adquiridos e retrabalhados por esta obra entre intelectuais. Entre os quais,Mário de Andrade, Gilberto Freyre, Rodrigo de Mello Franco de Andrade, Lúcio Costa, Gustavo Capanema,Robert Smith passando por um circuito político e cultural no qual o IPHAN se sobressaía pelas escolhas patrimoniais realizadas, em parte a partir de uma dada compreensão de arquitetura brasileira visível emBrazil Builds. Nesta perspectiva, os sentidos de Brazil Builds são co-produzidos nos encontros, nas trocas, disputas e tensões entre grupos de intelectuais de diversos perfis profissionais.

 

Neste estudo, as noções de produção, circuito e recepção do fotográfico andam juntas, emboratratadas em suas especificidades. O leitor percebe que o IPHAN e o MoMA partilhavam certos pressupostos do que deveria ser o moderno, bem como a engajada atuação de Mario de Andrade e Gilberto Freyre na qualidade de intelectuais a definir publicamente uma cultura brasileiraimpulsiona a aceitação de Brazil Buildse ainda os sucessivos usos deste livro como um catálogo, um instrumento visual, de usos cotidianos para discernir “corretamente” a arquitetura moderna e a arquitetura colonial no Brasil. Ora, Eduardo destrincha os modos de produção do livro, a montagem de sua discursividade fotográfica, sua narrativa, seus processos de significação e validação. Assim, o leitor entende que os circuitos e seus trânsitos culturais não são espaços vazios, indeterminados, casuais. São muito localizados e específicos. Nesta abordagem, as imagens ultrapassam o disposto em sua superfície. São entendidas na qualidade de fotografia de arquitetura a exercer funções em determinados nexos de sentido. Esta fotografia de arquitetura enunciava as intenções e as produções da arquitetura modernaao dialogar com os estudos de Robert Smith acerca da arquitetura mineira. Portanto a visualidade, considerada este conjunto de agenciamentos historicamente engendrados, assevera a objetividade da arquitetura brasileira e esta se funde com uma noção matricial da historiografia da arquitetura brasileira. Muitas vezes, predominantemente, embasada nas noções dicotomizadas de moderno e colonial que ganharam dimensões públicas e cotidianas em nossa vida coletiva muito em função da obra do IPHAN ao designar os signos destas acepções e as metodologias autorizadas a designá-los.

 

 
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