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Memória e experiência de judeus de Higienópolis

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Memória e experiência de judeus de Higienópolis e arredores

 

Do texto de Lucia Chermont, emergem pessoas vivas, atuantes no seu propósito de se estabelecer na cidade de São Paulo e no bairro de Higienópolis. São homens e mulheres, cujas histórias se confundem com a história do bairro. Ao transformarem o bairro e a cidade, transformam-se e se constituem enquanto sujeitos. Conquistar/construir a cidade em seus aspectos físicos e simbólicos significa fazer- se como sujeitos na e pela cidade. Nesse movimento de transformação e modernização, erguem-se sinagogas, escolas, imóveis residenciais, estabelecimentos comerciais, novos e diferenciados preceitos e ritos religiosos, novas atividades culturais e relações familiares, novas formas de escolarização e sociabilidade, movimentos juvenis diversos (de esquerda ou de cunho religioso), etc. Assim, essas novas formas de sociabilidade judaicas foram e são constitutivas de territórios de identidade.

 

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É interessante observar o perfil inteiramente distinto das instituições judaicas no Bom Retiro e em Higienópolis,

por Roney Cytrynowicz


Destes relatos emergem, outro ponto a destacar desta pesquisa, temas complexos e perguntas e dúvidas sobre o pertencimento judaico e as formas como a etnicidade se coloca no espaço urbano e público, em um bairro como Higienópolis, no entrecruzamento com questões de classe, de gênero, geracionais, etárias, profissionais, em relação às divisões internas à comunidade judaica e outras clivagens. Ou seja, é uma pesquisa que faz perguntas, se abre para dúvidas, ouve o que é diferente, e não se encerra com certezas e afirmações essencialistas sobre identidade.

O deslocamento de uma parcela da população judaica da cidade para Higienópolis se deu a partir dos anos 1960 e a abertura de uma filial do colégio Renascença, em 1968, pode ser um marco desta mudança geográfica. Higienópolis / Santa Cecília se tornou o distrito com maior número de judeus na cidade de São Paulo em 1980.

É interessante observar, nesta pesquisa, o perfil inteiramente distinto das instituições judaicas no Bom Retiro (com várias entidades assistenciais, por exemplo) e em Higienópolis (onde o shopping-center se tornou quase um “lugar judaico”) e, por extensão, os diferentes perfis de “comunidade”.

Ao longo da leitura do trabalho de Lucia Chermont há várias indicações de que Higienópolis e Bom Retiro formavam, com seus contrastes e dicotomias, um “sistema étnico-territorial”. Enquanto Higienópolis representava, por exemplo, o território da moradia e da ascensão social, o Bom Retiro continuou a representar um judaísmo mais associado às origens imigrantes, tanto é que em Higienópolis não se construiu nos primeiros tempos uma sinagoga ligada aos judeus da Europa Oriental e tampouco um comércio étnico.

 
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