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O parlamento dos invisíveis

 

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Parlamento dos invisíveis
Pierre Rosanvallon
Formato: 16x23 cm, 80 páginas
ISBN: 978-85-391-0901-2

 

É a democracia como forma de sociedade, e não somente como regime político, que é preciso hoje refundar. É nessa perspectiva que o projeto de uma democracia narrativa ganha todo sentido: ela é a condição para constituir uma sociedade de indivíduos plenamente iguais em dignidade, igualmente reconhecidos e considerados, e que possam verdadeiramente formar uma sociedade comum. [P.R.]


Esse livro é um manifesto social, político e moral em prol do povo. Entre a filosofia política, a sociologia e a história, defende a representação plena de todos e de cada um num parlamento sem invisíveis. Faz parte do projeto Contar a vida (Raconter la vie), que anseia abrir um espaço de experimentação social e política, bem como intelectual e literária.

 

Pierre Rosanvallon, historiador, é titular da cátedra de História Moderna e Contemporânea do Político no Collège de France e autor de Por uma história do político, entre outros livros

 

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Uma sociedade em busca de si mesma,

por Pierre Rosanvallon

 

Este ensaio expõe as ambições e os meios com os quais o projeto Raconter la vie (Contar a vida) quer contribuir para retirar o país do estado inquietante em qual se encontra. Todos sentem que rupturas decisivas, talvez irreversíveis, estão se produzindo no âmago da sociedade. É possível, ao mesmo tempo, constatar que uma lenta deriva da democracia começa a apresentar seus efeitos – o avanço progressivo inédito do partido Front national é uma de suas expressões mais perceptíveis. Múltiplos fatores, principalmente, de ordem econômica, podem explicar o desencantamento e o medo do futuro que afligem os espíritos. Mas um dentre eles exerce um papel provavelmente fundamental: o país não se sente escutado.

Uma impressão de abandono exaspera e deprime atualmente muitos franceses. Eles se percebem esquecidos, incompreendidos. Se sentem excluídos do mundo legal, o dos governantes, das instituições e das mídias. Discursos fortes, declarações exaltadas ou passionais surgem às vezes na ocasião do fechamento de uma empresa, na resistência a projetos que desfiguram um território ou ainda em manifestações que visam obter o reconhecimento de direitos. Diversos fatos também deixam aparecer de vez em quando misérias ocultas e desgraças inauditas. Fragmentos de vida vêm então brutalmente à tona e se impõem ao debate público. O eco que eles encontram pode iludir e levar a acreditar em uma atenção mais geral à sociedade. Mas isso representa somente um número limitado de situações e não implica frequentemente senão aqueles que sabem se organizar, porque eles são herdeiros de uma tradição reivindicativa ou porque eles têm fácil acesso à mídia. Aparece, portanto, somente a parte emergente de um imenso iceberg que continua invisível sob as águas e se deixa desvelar somente sob as formas de um protesto difuso e de uma desilusão amarga, cuja magnitude é traduzida periodicamente pelas sondagens e pelas cédulas de voto.

 

À espera de reconhecimento

 

O país não se sente representado. As existências mais humildes e menos notadas são certamente as mais manifestamente afetadas. Mas o problema é mais geral e vale para todos os componentes da sociedade. A democracia está minada pelo caráter inaudível das vozes dos mais fracos, pela negligência em relação às existências ordinárias, pelo desdém das vidas julgadas sem valor, pela falta de reconhecimento de iniciativas simplesmente relegadas ao esquecimento. A situação é alarmante, pois diz respeito ao mesmo tempo à dignidade dos indivíduos e à vitalidade da democracia. Com efeito, viver em sociedade significa, em primeiro lugar, ver sua existência apreendida em sua verdade cotidiana. Vidas que não contam são efetivamente vidas diminuídas, negadas, implicitamente desprezadas. Essa é uma ausência que duplica a dureza das condições de vida. Ser invisível – porque é disso que se trata – tem um custo para os indivíduos. Pois uma vida deixada no desconhecimento é uma vida que não existe, uma vida que não conta. Ser representado, ao contrário, é tornar-se presente para os outros, no sentido próprio do termo. É ser levado em conta, ser reconhecido na verdade e na especificidade de sua condição. Não ser somente remetido a uma massa indistinta ou a uma categoria que caricatura e encobre a realidade em uma fórmula sonora, um preconceito ou um estigma (o subúrbio, os conjuntos habitacionais, os bobos etc). A aspiração a uma sociedade mais justa é, portanto, inseparável de uma expectativa de reconhecimento.

 


 

 
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